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o passado condena

24 fev

Clarice tem uma turma de amigos (meninos e algumas das meninas) das antigas, pessoal sangue bom. Alguns já se casaram e continuam assim, outros se casaram, separaram e continuam assim. E uns poucos estão ainda naquela de tentativa e erro. Por causa disso, não se encontram sempre e, por mais absurdo que possa parecer, quando isso acontece, naquela coisa de ficarem perguntando pelas pessoas, sempre aparece alguma novidade que não é tão nova assim, mas que pode causar alguns problemas…

Logo que conheceu “os meninos”, Clarice se encantou por um deles (e vice versa) e os dois tiveram um caso ou rolo (como preferir). Foi um caso longo, a turma sempre se referia a eles como namorados, mas nenhum dos dois assumia o relacionamento como tal. Principalmente Clarice, que tinha há pouco tempo colocado um ponto final num namoro de longuíssimos sete anos. O cara chama Sérgio Eduardo e tem um irmão gêmeo com o nome originalíssimo de Eduardo Sérgio (conhecido na turma como Eduardinho). Mas a Dani, amiga, irmã, camarada, só chama o cara de Sérgio Osvaldo (não me perguntem o porquê) e aí, já viram, né?!

O diálogo abaixo aconteceu na terça-feira dessa semana, pelo Google Talk. Claro que foi feita uma pequena edição, mas esta sendo publicado com a autorização da Clarice. Só o cavalheiro envolvido é que não sabe de nada…

eu: Dani, encontrei com o Ró ontem(o Ró, Rodrigo Otávio, super amigo de Clarice e Dani. Já foi apaixonadíssimo por Clarice, pelo menos era o que todos falavam, mas ela sempre o viu como um grande amigo).

Daniela: oi amada

eu: e ele me contou uma coisa que me deixou apoplética

Daniela: o que?????

eu: O sérgio osvaldo pintava o cabelo. De acaju ainda por cima!!!!

Daniela: ah clarice…. tava na cara, por isso o apelido dele era acaju

eu: como assim? sério? nunca reparei. Só sabia que o Richa (primo do Ró) fazia escova naquele topete horroroso… nunca soube que o apelido dele era esse

Daniela: o amor deixa as pessoas cegas

eu: que amor, Dani?! Que amor?!

Daniela: era bem naquela época que vc tava querendo ele

eu: gente, nunca reparei, sério mesmo. aliás, nem foi só isso

Daniela: fala…..

eu: o ró falou que ele já tinha uma filha naquela época

Daniela: gente de Deus…. alouuuuu….. Marte….. eu fui no batizado!

eu: gente, Dani, nunca soube! sério?

Daniela: niver de um ano, a menina deve ter uns 13 anos hoje

eu: ah, então isso foi depois do nosso caso!

Daniela: foi tipo logo depois que vocês terminaram o namoro

eu: Dani, caso, Dani. Ah bom! Ainda bem, porque aí ia ser demais! mas ele pintava o cabelo na época do nosso rolo?

Daniela: sim, aquele dia que a gente se encontrou no Pizzarela, um sábado à tarde, logo no começo do namoro, acho que ele devia ter acabado de pintar. Pois tava super com cara de recém pintado e todos os meninos o chamavam  de acaju

eu: Dani, duas coisas. A mais importante de todas, EU NÃO NAMOREI O SÉRGIO. Ele tá na coluna dos casos (isso é uma brincadeira antiga das meninas). E agora eu te pergunto: como assim Dani, vc, minha amiga, nunca falou isso comigo?

Daniela: uai…. achei que era óbvio demais

eu: gente de Deus, meu passado é negro. Tô mil vezes apoplética. Namorei um gay enrustido. E esse eu não posso negar, inclusive apresentei pro meu pai como tal e agora fico sabendo depois de séculos que tive um caso com um cara que pinta o cabelo de acaju…Putzgrila, meu passado me condena…

Nobel de Economia na vida das mulheres

25 nov

Eu contei aqui o tanto que Clarice ficou ‘bava’ com o fato do Igor Cavalera ser casado. E, é claro, que no encontro seguinte das meninas o assunto voltou à tona por causa do comentário do Eduardo e que, sem dúvida alguma, é uma explicação bastante plausível para o relacionamento no nosso australopitecuse a Clarice andar numa fase ruim de namorado.

- Coincidência ou não, mas depois logo após o meu chilique com o Igor (carinhosamente apelidado por ela de Piteco e sua esposa de Huga), li sobre a fundamentação da pesquisa que ganhou o Prêmio Nobel de Economia. E ela faz todo o sentido no nosso mundo e pode ser aplicada a assuntos muito mais importantes que as relações de trabalho.

Preciso dizer que Clarice anda numa fase totalmente nova. Além de várias mudanças no visual, segundo ela, agora vai começar a diversificar nas bebidas. Nesse dia, Clarice bebia Cosmopolitan em homenagem a Carrie Bradshawn.

- Ah, das vagas de emprego e o número de desempregados?

- É, isso mesmo. A tese pode ser comprovada também para a hipótese da oferta de homens e o fato das mulheres estarem solteiras.

Novamente um adendo: é óbvio para muitas pessoas que o álcool provoca as mais diferentes reações. Uma das meninas fica extremamente sentimental, chora por absolutamente tudo e eu, claro, morro de rir dela. Outra começa a falar as coisas mais absurdas do mundo e ter ideias fantásticas sobre viagens que nós nunca iremos fazer. Mas a Clarice fica séria, fala as maiores bobagens utilizando um português casto e sua veia pesquisadora ou sei lá o que aparece de forma nada sutil…

- Claro, olha bem: se o Igor Cavalera se interessasse por mim, desse jeito, gordo, com aquele cabelo, sem dentes, resumindo,“como se não tomasse banho desde dia que a mãe falou que ele já estava grandinho”, era mais fácil um boi voar do que eu dar bola pra ele. No caso dele, só a Huga mesmo.

Honestamente, não sei se foi o Cosmopolitan que a ajudou a pensar assim, mas o fato é que ela tem toda razão.

o que que ele tem que eu não tenho?

11 out

Encontro avulso das meninas para uma happy hour. Lá pelas tantas, Clarice de posse do seu smartphone fica indignada com a foto abaixo:

Cavalera Conspiracy se apresenta no palco água do SWU

Mostra a foto, fica ainda mais indignada após ler a notícia e diz: “Isso é demais, o cara tá  mais gordo, com dentes a menos, dreads que já são um horror quando recém feitos mais bagunçados, mas é casado! Alguém me fala o que que ele tem que eu não tenho que nem namorado tô conseguindo arrumar?”

Drauma

20 ago

No último encontro das meninas, Clarice chegou com uma cara péssima. Cumprimentou as amigas e a mais próxima dela perguntou o que ela tinha.

- Fulana, desse jeito eu vou ficar mais “draumatizada” ainda. (Drauma ao invés de trauma é uma história antiga, um dia conto aqui).

- Mas o “drauma” é por causa de que?

- Lembra do Beltrano, aquele que eu ensaiei um romance logo depois do término com aquele que não pode ser nomeado?

- Sei, o esquisito?

- E lembra porque eu o achava esquisito?

- Sim, você e Mia suspeitavam que ele era gay.

- Pois é, eu achava que ele tinha o software, mas não tinha certeza se já tinha usado o hardware.

- Mas ele não casou? Teve filho, não foi?

- É, mas separou e meia BH está dizendo que a separação se deu porque ele resolveu sair do armário. Assim não dá, já não basta a anorexia, agora vou ter bulimia também…

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