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gato por lebre

22 mar

Fiz um curso semana passada que foi . Quatro dias que poderiam ser resumidos em dois, mas, tudo bem, isso acontece algumas vezes e a vida é essa, subir Bahia e descer Floresta. Mas o problema nem foi o curso, o problema maior foi a metodologia utilizada como pano de fundo. PNL: Programação Neuro Linguística. Caramba, que é aquilo?! Eu sabia o que era, mas nunca tinha participado da prática. Se alguém gosta, para de ler agora, porque daqui pra frente eu vou soltar todos os bichos e não vou me desculpar.

Você quer, você pode? O Segredo? Pensamentos positivos a toda prova? Quase tive um troço. De quinta a domingo, o dia todo, isso mesmo, sábado e domingo, o dia in-tei-ri-nho, ouvindo isso. Até que quinta e sexta foi menos, mas no sábado, putzgrila (pra não falar outra coisa), foi demais.

Quando o instrutor (se é que posso chamá-lo assim) solicitou que as luzes fossem apagadas e que nós fechássemos os olhos, todas as minhas barreiras, preconceitos, birras e tudo o mais aumentaram de tamanho. Quando a música começou a tocar e ele a falar baixo, suave e tranquilamente que nós iríamos entrar em uma tela e que teríamos que imaginar nossas vida daqui a três anos e, à medida que o ritmo da música ficava mais forte, a intensidade da voz acompanhado eu tive que encontrar alguma forma de continuar ali, respeitando a situação, mas sem violar minhas crenças.

Parte do desabafo feito, preciso dizer que não sabia que a PNL seria utilizada no curso. Se soubesse, eles não me veriam, nem o meu rico dinheirinho. A formação que estava buscando tem tudo a ver com meu trabalho atual e achei que a instituição era séria. Mas não é, infelizmente não é.

Como posso achar que a instituição é séria quando o cara que está lá na frente falando que se eu quiser, posso alcançar. Não consegue conjugar verbos, não sabe concordar o singular com plural: as coisas pela qual você é grato era o erro mais simples. E foi assim que superei o exercício dos olhos fechados, contando quantas vezes ele errava no português. Perdi as contas e o exercício demorou para acabar, viu.

Mas eu quase tive um troço quando, ao final do domingo, um participante puxa saco, baba ovo, aparecido disse que o professor tinha deixado a impressão digital na vida dele e os dois começaram a chorar. Levantei e fui embora, aquilo era demais pro meu visual e TBS (talento, beleza e sexo).

bate e volta

27 jan

Já viajei muito a trabalho e já fiz muito bate e volta. A maior parte deles de BH para o Rio ou para SP. A distância maior que cobri num mesmo dia foi BH-Salvador-BH. Até hoje.

Estou em Belém do Pará. Isso mesmo, cá em cima, no norte do país. Sai de BH hoje às 8h40 e volto na primeira hora da madrugada… Na verdade é amanhã, mas para mim ainda é o mesmo dia, já que não vou dormir e acordar para pegar o avião.

Mas tá valendo à pena. No período de uma hora já tomei sorvete de cupuaçu e tapioca, experimentei o de castanha do Pará e de pavê de cupuaçu, experimentei uma fruta chamada pupunha – não gostei – e descobri que a cidade tem o maior número de igrejas evangélicas por metro quadrado (essa conta é só minha tá?). E se alguém tiver interesse, numa delas, aquela do bispo, o dia do resgate será 30 de janeiro, dá tempo de chegar com calma.

E sim, é outro mundo, em todos os aspectos, mas principalmente pelo fato de que o saneamento básico chega muito tempo depois das casas serem construídas.

 

bagagem de mão

9 jan

Eu tenho um combinado comigo mesma quando viajo: “não exagere na mala, caso contrário terá que levar bagagem de mão”. E para mim, na minha mão só a minha bolsa ou outra mão. Em viagens de trabalho se tenho que levar o notebook só se for realmente necessário – uso uma bolsa que não é exatamente para isso, mas que serve perfeitamente bem para as minhas necessidades.

Essa restrição de líquidos e cosméticos em viagens internacionais não me afetou em nada. Esse é um dos momentos em que eu pratico o desapego. É, o desapego à vaidade, já que ela vai por água abaixo (ou ar acima, como preferir), pois não levo (nunca levei) nada de maquiagem nessas viagens. Não me importa as olheiras, não ter um rosadinho nas bochechas e um olhar dramático pela falta de curvex e rímel, na minha bolsa só vai a pasta e a escova de dentes e um lip balm – a necessaire da bolsa vai inteirinha pra mala – por causa do ressecamento dos lábios.

Dessa vez, retornando de Portugal não teve jeito por causa da mala sem alça da minha mãe e do mala aberta (= folgado) do meu irmão. Como minha irmã e a família vão morar aqui a partir de fevereiro, combinamos que voltaria com uma mala deles, portanto, a minha cota de bagagens que poderiam ser despachadas estava esgotada. Assim, sofri dois dias com a perspectiva de viajar carregando de um lado para outro nos aeroportos (Porto, Lisboa e Confins), uma mala.

desse modelo, porém menor, própria para os compartimentos acima dos assentos!

Porém, no momento do check in, no Porto, perguntei à mocinha da TAP se poderia despachar um terceiro volume, por causa do meu cartão fidelidade TAM (nesses momentos eu agradeço ter viajado tanto a trabalho até 2009). E ela disse sim! Ah, que felicidade a minha! Rapidamente tirei meu livro de dentro dela, só pensando que, afinal, o trabalho compensa, travei o cadeado e despachei aquele “peso” diretamente para os porões dos aviões. Só havia me esquecido de uma coisa, melhor, duas. Além da mala, para o porão eu também mandei meu HD externo e o celular do meu irmão, ambos, novinhos em folha.

Como me dei conta do que tinha feito quando estava no aeroporto de Lisboa, passei a viagem sofrendo com a ideia de arrombamento da mala e a perda dos bens. Mas, como diz uma amiga, “Deus protege os inocentes”, fato que comprovei quando abri a mala ainda no táxi, já em BH, para conferir se estava tudo lá. E estavam!

posicionamento estratégico

3 dez

Houve uma época que esse assunto era a última moda em gestão de empresas, mais uma febre da administração. Se a empresa não tivesse um, babau, foi-se, quebrou! E como toda moda, não importava muito saber porque escolher o posicionamento estratégico e muito menos quais as bases para essa escolha, o importante era apenas definir qual é o posicionamento estratégico. Mas eu acredito que é importante que as empresas determinem seu posicionamento estratégico e mais do que isso, que trabalhem bem seus produtos, serviços e sua gestão com base nele ou então, tudo pode ir por água abaixo! Ou pelos ares, melhor dizendo.

Ontem tive que ir ao Rio de Janeiro, o bate e volta mais rápido da história da minha vida profissional e de passageira áerea. Peguei um voo em Confins às 6 da manhã (acho esse horário pouquíssimo civilizado) e retornei num para BH às 13h25 pela Webjet. Até então, tinha tido apenas uma experiência com essa companhia aérea e não sabia que ela tinha efetivamente optado por seguir todas as características clássicas de uma empresa de aviação do tipo low cost.

E o que significa uma empresa low cost? Significa que toda sua estratégia, processos, procedimentos, treinamento, marketing, tudo, absolutamente tudo, deverá ter como premissa uma operação com margens mínimas e custos extremamente racionalizados.

Já para o cliente significa, primordialmente, que ele vai comprar sua passagem por um preço bem mais baixo (na Europa e EUA a diferença de valor é mesmo significativa), não vai poder escolher o assento de sua preferência (aqui eu acho que existe essa possibilidade), vai ter que assumir e cumprir determinado peso para a mala, caso contrário vai pagar mais caro, sua poltrona não vai reclinar – a liderança por custos baixos implica na necessidade de ganho no volume (vender o maior número de passagens possível), por isso tem que caber mais poltronas no avião – e, principalmente, não vai ter o famoso lanchinho do avião, aqueles que todos os passageiros acham que é uma refeição grátis. Para quem não sabia, almoço grátis é uma coisa que não existe, definitivamente!  Então, quando uma pessoa compra a passagem de uma empresa que trabalha nessas condições já sabe de tudo isso, mas o que ele quer é viajar pagando mais barato, e não comer!

Ontem, como cheguei em cima da hora para fazer o check in e embarcar, não tive tempo para comer um mísero sanduiche no aeroporto como tinha planejado, pensei que ainda restava o lanchinho do avião… Santa inocência, Batman… Quando solicitei à comissária um copo de água, já que também estava morrendo de sede, obtive a seguinte resposta:

- Senhora, o lanche é vendido, inclusive a água, e o serviço só funciona depois da decolagem. Aquilo foi um balde de água fria para mim – o que me deu mais sede ainda – e a minha expressão deve ter deixado isso claro para ela. Como o que não tem remédio, remediado está, e eu já não sabia se tinha mais sono, fome ou sede, decidi mentalizar a cor azul e relaxar o máximo que conseguisse.

Quando anunciou que o serviço de venda de lanche seria iniciado, a comissária dá uma informação importantíssima: “o lanche só poderá ser comprado com dinheiro”. Exclusivamente com dinheiro, ela completa, indicando não haver a menor possibilidade para a compra, caso você não tenha notas de Real na sua carteira. Eu que pensava que seria um atendimento mais ágil, conclui que tanto a minha fome, quanto a minha sede não seriam saciadas tão rapidamente como pensava. Mas mesmo assim, imaginei que seria mais rápido que o normal. Santa ingenuidade, Batman.

O serviço de venda de lanches na Webjet funciona assim: uma mocinha sai lá de trás com uma máquina nas mãos e vai para a frente do avião para “tirar os pedidos”. Eu tenho quase certeza de que essa máquina é um computador de mão que comunica com outro lá nos fundos, onde os pedidos são exibidos e assim, as outras comissárias preparam as bandejas e  levam até os passageiros. Sim, um atendimento personalizado, os lanches são entregues um a um!

E na cintura da mocinha com a máquina, ela tem uma bolsa com dinheiro para troco e vai, fileira por fileira, poltrona por poltrona, passageiro por passageiro, perguntando o que eles vão querer  e anotando o pedido na tal máquina! Imagina esse procedimento num voo lotado e de tempo curto como é o trecho BH-RJ.

Quando chegou a minha vez, fiz o pedido e entrego uma nota de R$ 50,00 para pagar os R$ 16,00 do sanduiche e refrigerante. A mocinha, muito simpática e sorridente (a mesma que me deu a informação sobre a água), olha para a nota e diz com profundo pesar:

- Senhora, eu não tenho troco… Eles dão somente R$ 100,00 para troco pra nós e todo mundo pagou com nota de R$ 50,00 hoje!

- Mas, e então, como fica? Eu perguntei para aquela coisinha risonha que estava na minha frente.

- Aaah, se eu não conseguir troco, eu não posso vender para a senhora. Com fome, sede (eu não tinha R$ 3,00 trocados para comprar a água), sono e a partir daquele momento indignadíssima! E dentro de um avião, a não sei quantos mil metros de altitude e lá fora fazia muito frio. Não tinha como fugir, eu tinha que ficar ali mesmo e assimilar a resposta e todas as suas consequências. E não é que algum tempo depois a simpática comissária me aborda, mais feliz que pinto no lixo me informa que tinha conseguido o troco e se eu ainda queria o lanche. Pelo tempo de voo eu imaginava que o procedimento de descida iria começar logo, por isso respondi com outra pergunta:

- Em quanto tempo você acha que a gente pousa?

- De 10 a 12 minutos.

- Não vai dar tempo…

- Dá tempo de vender sim! Não sei se vai dar tempo para a senhora comer… Mas aí a senhora escolhe, ou come rapidinho ou leva o lanche! Dei um sorriso amarelo e respondi apenas um “não, obrigada”. Ela, por sua vez, deu de ombros, disse um simples “então tá” e retirou-se.

Pessoal da Webjet: posicionamento estratégico de liderança por baixos custos é muito mais que vender passagens baratas e lanches (caros) no avião. É um conceito, um pilar que deve estar presente e sustentar todas as ações, processos, procedimentos e rotinas. Custo baixo não significa atender mal o seu cliente só porque ele comprou a passagem mais barata. Pelo contrário, o treinamento e a qualificação de seus empregados não devem representar que tudo é ruim porque custa barato, caso contrário, as pessoas podem optar por não voar pela sua empresa imaginando que você economiza nas manutenções e na qualidade das peças. Posicionamento estratégico não deve ser nunca confundido com a forma como você aborda o seu cliente e o mercado como um todo.

Mas se vocês quiserem realmente que a Webjet seja bem sucedida, vocês têm uma opção. Contratem a minha empresa de consultoria, nós trabalhamos muito bem, viu! E nem é porque o nosso posicionamento estratégico é o de diferenciação pela intimidade com o cliente, é porque a gente sabe o que isso significa na prática. Entrem em contato, estamos à disposição para melhor atendê-los!

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