Houve uma época que esse assunto era a última moda em gestão de empresas, mais uma febre da administração. Se a empresa não tivesse um, babau, foi-se, quebrou! E como toda moda, não importava muito saber porque escolher o posicionamento estratégico e muito menos quais as bases para essa escolha, o importante era apenas definir qual é o posicionamento estratégico. Mas eu acredito que é importante que as empresas determinem seu posicionamento estratégico e mais do que isso, que trabalhem bem seus produtos, serviços e sua gestão com base nele ou então, tudo pode ir por água abaixo! Ou pelos ares, melhor dizendo.
Ontem tive que ir ao Rio de Janeiro, o bate e volta mais rápido da história da minha vida profissional e de passageira áerea. Peguei um voo em Confins às 6 da manhã (acho esse horário pouquíssimo civilizado) e retornei num para BH às 13h25 pela Webjet. Até então, tinha tido apenas uma experiência com essa companhia aérea e não sabia que ela tinha efetivamente optado por seguir todas as características clássicas de uma empresa de aviação do tipo low cost.
E o que significa uma empresa low cost? Significa que toda sua estratégia, processos, procedimentos, treinamento, marketing, tudo, absolutamente tudo, deverá ter como premissa uma operação com margens mínimas e custos extremamente racionalizados.
Já para o cliente significa, primordialmente, que ele vai comprar sua passagem por um preço bem mais baixo (na Europa e EUA a diferença de valor é mesmo significativa), não vai poder escolher o assento de sua preferência (aqui eu acho que existe essa possibilidade), vai ter que assumir e cumprir determinado peso para a mala, caso contrário vai pagar mais caro, sua poltrona não vai reclinar – a liderança por custos baixos implica na necessidade de ganho no volume (vender o maior número de passagens possível), por isso tem que caber mais poltronas no avião – e, principalmente, não vai ter o famoso lanchinho do avião, aqueles que todos os passageiros acham que é uma refeição grátis. Para quem não sabia, almoço grátis é uma coisa que não existe, definitivamente! Então, quando uma pessoa compra a passagem de uma empresa que trabalha nessas condições já sabe de tudo isso, mas o que ele quer é viajar pagando mais barato, e não comer!
Ontem, como cheguei em cima da hora para fazer o check in e embarcar, não tive tempo para comer um mísero sanduiche no aeroporto como tinha planejado, pensei que ainda restava o lanchinho do avião… Santa inocência, Batman… Quando solicitei à comissária um copo de água, já que também estava morrendo de sede, obtive a seguinte resposta:
- Senhora, o lanche é vendido, inclusive a água, e o serviço só funciona depois da decolagem. Aquilo foi um balde de água fria para mim – o que me deu mais sede ainda – e a minha expressão deve ter deixado isso claro para ela. Como o que não tem remédio, remediado está, e eu já não sabia se tinha mais sono, fome ou sede, decidi mentalizar a cor azul e relaxar o máximo que conseguisse.
Quando anunciou que o serviço de venda de lanche seria iniciado, a comissária dá uma informação importantíssima: “o lanche só poderá ser comprado com dinheiro”. Exclusivamente com dinheiro, ela completa, indicando não haver a menor possibilidade para a compra, caso você não tenha notas de Real na sua carteira. Eu que pensava que seria um atendimento mais ágil, conclui que tanto a minha fome, quanto a minha sede não seriam saciadas tão rapidamente como pensava. Mas mesmo assim, imaginei que seria mais rápido que o normal. Santa ingenuidade, Batman.
O serviço de venda de lanches na Webjet funciona assim: uma mocinha sai lá de trás com uma máquina nas mãos e vai para a frente do avião para “tirar os pedidos”. Eu tenho quase certeza de que essa máquina é um computador de mão que comunica com outro lá nos fundos, onde os pedidos são exibidos e assim, as outras comissárias preparam as bandejas e levam até os passageiros. Sim, um atendimento personalizado, os lanches são entregues um a um!
E na cintura da mocinha com a máquina, ela tem uma bolsa com dinheiro para troco e vai, fileira por fileira, poltrona por poltrona, passageiro por passageiro, perguntando o que eles vão querer e anotando o pedido na tal máquina! Imagina esse procedimento num voo lotado e de tempo curto como é o trecho BH-RJ.
Quando chegou a minha vez, fiz o pedido e entrego uma nota de R$ 50,00 para pagar os R$ 16,00 do sanduiche e refrigerante. A mocinha, muito simpática e sorridente (a mesma que me deu a informação sobre a água), olha para a nota e diz com profundo pesar:
- Senhora, eu não tenho troco… Eles dão somente R$ 100,00 para troco pra nós e todo mundo pagou com nota de R$ 50,00 hoje!
- Mas, e então, como fica? Eu perguntei para aquela coisinha risonha que estava na minha frente.
- Aaah, se eu não conseguir troco, eu não posso vender para a senhora. Com fome, sede (eu não tinha R$ 3,00 trocados para comprar a água), sono e a partir daquele momento indignadíssima! E dentro de um avião, a não sei quantos mil metros de altitude e lá fora fazia muito frio. Não tinha como fugir, eu tinha que ficar ali mesmo e assimilar a resposta e todas as suas consequências. E não é que algum tempo depois a simpática comissária me aborda, mais feliz que pinto no lixo me informa que tinha conseguido o troco e se eu ainda queria o lanche. Pelo tempo de voo eu imaginava que o procedimento de descida iria começar logo, por isso respondi com outra pergunta:
- Em quanto tempo você acha que a gente pousa?
- De 10 a 12 minutos.
- Não vai dar tempo…
- Dá tempo de vender sim! Não sei se vai dar tempo para a senhora comer… Mas aí a senhora escolhe, ou come rapidinho ou leva o lanche! Dei um sorriso amarelo e respondi apenas um “não, obrigada”. Ela, por sua vez, deu de ombros, disse um simples “então tá” e retirou-se.
Pessoal da Webjet: posicionamento estratégico de liderança por baixos custos é muito mais que vender passagens baratas e lanches (caros) no avião. É um conceito, um pilar que deve estar presente e sustentar todas as ações, processos, procedimentos e rotinas. Custo baixo não significa atender mal o seu cliente só porque ele comprou a passagem mais barata. Pelo contrário, o treinamento e a qualificação de seus empregados não devem representar que tudo é ruim porque custa barato, caso contrário, as pessoas podem optar por não voar pela sua empresa imaginando que você economiza nas manutenções e na qualidade das peças. Posicionamento estratégico não deve ser nunca confundido com a forma como você aborda o seu cliente e o mercado como um todo.
Mas se vocês quiserem realmente que a Webjet seja bem sucedida, vocês têm uma opção. Contratem a minha empresa de consultoria, nós trabalhamos muito bem, viu! E nem é porque o nosso posicionamento estratégico é o de diferenciação pela intimidade com o cliente, é porque a gente sabe o que isso significa na prática. Entrem em contato, estamos à disposição para melhor atendê-los!