“O salto é grande, mas o tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo. Também se pode bordar nada. Nada em cima de invisível é a mais subtil obra deste mundo, e acaso do outro”.
*Estou relendo Esaú e Jacó, de Machado de Assis, de onde extrai esse trecho. Releio por motivos profissionais, por mais incrível que possa parecer. Mas trabalhar com empresas familiares requer algumas informações e conhecimentos que estão totalmente fora do contexto empresarial.
De qualquer forma, essa passagem ficou gravada na minha memória somente por motivos pessoais. Concordo com autor, o tempo é mesmo um tecido, liso, sem nenhum tipo de costura, estampa ou textura, não tenho dúvidas. A responsabilidade por preenchê-lo é, na maior parte das vezes nossas, porém, algumas vezes, outras pessoas bordam no nosso tecido.
Mas em alguns momentos a vida é responsável pelo trabalho e não há nada que possamos fazer quando ela borda um túmulo. Infelizmente. Fica a dor e a saudade e, aos poucos, o próprio tempo se encarrega de nos ensinar outros tipos de bordado, além de outros desenhos e formas.
Gostei demais deste post. Pior é quando vemos impassíveis a vida bordando alguns pontos errados e nem tentamos acertá-los. Os que podem ser corrigidos, claro.
Não li ainda este livro, mas fiquei com vontade.
Bj.